sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

20th of December

Eu nunca senti a falta dele enquanto ele era vivo. 
Sempre fazia questão de não atender aos seus telefonemas e achava que eu era muito bem resolvida quanto a esta decisão que eu tinha tomado. Eu não aguentava mais ouvir as suas lamúrias e não suportava ouvi-lo falar mal das pessoas que cuidavam dele e que ele sequer reconhecia que elas faziam tal coisa . Eu não aceitava de jeito nenhum que ele falasse mal da minha mãe , que mesmo tendo sido agredida verbalmente quase todos os dias por ele , nunca abriu a boca para falar mal dele depois da separação . Tudo o que ela nos dizia era : "ele foi o melhor pai que ele soube ser "!
E então no dia 20 de dezembro de 2013, enquanto eu estava trabalhando, recebi a notícia que ele tinha morrido ... Dormindo...
Não consegui conter a crise de choro imediata. E hoje tento entender de onde veio esse choro, que foi muito maior do que o dele, quando recebeu a mesma notícia que eu quando o pai dele morreu. Me lembro desse dia com muita nitidez, porque foi a primeira vez na vida que eu vi o meu pai chorar. Foram poucas lágrimas , e quando eu perguntei o que tinha acontecido suas palavras foram : " O William morreu"! Ele não disse "meu pai" ou "seu avô " ... Ele disse "O William"! Eu tinha então 10 anos e fiquei me perguntando porque ele não o chamou de pai. Quanta magoa ele devia ter para até mesmo nesta hora o chamar pelo nome !
Quando eu recebi a notícia eu disse aos amigos de trabalho enquanto chorava : " meu pai morreu!" E então eu entendi que apesar de todas as mágoas que eu tive dele, de todas as lembranças ruins e de todos os exemplos do que não fazer que ficaram, eu o amava.
Passei dias depois de sua morte absurdamente triste e lamentando sua partida. Não pensando no que deixamos de fazer juntos, porque acho que nada mudaria hoje no nosso relacionamento se ele estivesse vivo, mas pensando em como ele estragou a vida dele e afastou dele todas as pessoas que o amaram  dia. Pensando em todas as coisas que ele ainda poderia viver e fazer diferente se não fosse uma pessoa tão egoísta . Em como ele poderia ter sido amado se tentasse entender as pessoas. E pensando na sorte que ele teve de não ter morrido sozinho, mesmo sendo quem ele foi .
Mais do que nunca eu tenho o senso de urgência de viver agora, e de amar o maior número de pessoas que eu puder, porque a morte é solitária e ela vem sem avisar a ninguém !

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